segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Gps do amor



- Desculpe… você tem a certeza?

Olhou para a embalagem, deu-lhe duas voltas com as mãos, leu e releu:

“ GPS do Amor”

A funcionária da loja, velha colega dos bancos de escola, observando-o incrédulo, tentou ajudar.

- Mas é verdade, doutor Paulo, é mesmo verdade. Ainda ontem apareceu aqui um casal que veio agradecer, só confirmar que tinha resultado…

O cliente lançou um olhar embaraçado à balconista.

- Margarida…. Por favor, que é isso? Deixe lá esse tratamento de doutor…. Caramba, fomos colegas de escola…

Ela mudou sucessivamente de cor, desde o branco do balcão da loja até ao roxo do embaraço completo – se tivesse ali um buraquinho no chão, mergulharia naquele instante. Mas o Paulo, o “doutor” Paulo… era uma memória atravessada na garganta, daquelas memórias que começam por um beijo distraído num baile de escola e só deixam marcas a uma das partes, neste caso, a ela.

- Claro, claro…. Paulo… obrigado…. Mas pode levar o GPS, a sério… eu mesma comprei um conjunto para mim, apesar de ainda não o ter utilizado….

Ele procurou as instruções na caixa.

- E como se utiliza este… estranho objecto?

Ela pegou numa embalagem já aberta por outro cliente.

- É fácil, é muito fácil, eu explico…. Na verdade, este GPS… é como um emissor e um receptor, sabe? Só que em cada conjunto que se vende, no mundo inteiro…. Não há nenhuma caixa que contenha o par certo, não sei se me percebe…

O cliente ia abrindo os olhos, agradado com o tom da conversa.

- Continue, continue… até agora estou acompanhando…

Ele levantou ao alto um dos GPS, para lhe mostrar melhor os botões e comandos.

- Está vendo aqui deste lado? Só tem um botão e uma fila de pequenas luzes verdes, creio que dez. E depois tem esta luz pequenina vermelha, aqui ao fundo…

- E tenho que prestar atenção a qual delas? – quis ele saber

- No seu caso…. Começa por prestar atenção à vermelha. Enquanto a luz vermelha permanecer acesa, significa que o par deste GPS ainda não foi activado, ou comprado. Quando desaparecer a luz vermelha, pode começar a carregar no botão verde. De cada vez que carregar…. Acender-se-ão algumas luzinhas verdes …. Estas aqui, está vendo?....

Ele lá foi acenando com a cabeça, dizendo que sim.

- Quanto maior o número de luzes acesas…. Mais próximo está o par deste GPS…. E do mesmo modo, se outra pessoa carregar no GPS certo que faz par com o seu …. Verá acender-se o mesmo número de luzinhas verdes…. Está entendendo agora?

Ele sorriu, a Margarida continuava a ser uma boa conversadora, era a imagem que agora recordava dela, discursando num papel de teatro em que ambos haviam participado, tantos anos atrás.

- Sim…. Claro, estou entendendo…. Mas Margarida, diga-me…. E quando as luzinhas verdes estiverem todas acesas…. O que significa esse “estar perto” ? É algo como a mesma cidade, o mesmo bairro? Como vou saber ao certo?

Foi a vez dela sorrir, como quem vai puxar de um trunfo decisivo.

-Ahh, boa pergunta, boa pergunta… e é verdade, já me esquecia de explicar…. Os GPS vêm com um sinalzinho sonoro…. Quando se encontrarem a poucos metros um do outro… começam os dois a tocar, e ambos a mesma musica… que nem me pergunte qual é, que também não sei…

- E a Margarida, dizia… também comprou um para si, foi? E já o experimentou?

Ela baixou ao de leve o olhar, apanhada de surpresa.

- Bem… não, ainda não…. Mas vou experimentá-lo, um dia destes….

Convencido, mais pela simpatia da vendedora ex-colega que pelas propriedades mágicas do “Gps do amor”, pagou e foi à sua vida.

A vida dava muitas voltas, verdade.

Ele, doutor Paulo, médico, consultório na cidade, solteiro e solitário, pouco dado a vida social, introvertido e amigo de caminhadas na montanha. Um ornitólogo muito amador, como gostava a si mesmo de se intitular. Mas no fundo, um mero solitário que sempre preferira fugir de todo e qualquer compromisso, fosse ele de que tipo fosse, a pretexto de uma liberdade que julgava resolver tudo…. Mas que agora, com meio século de vida, descobria não resolver rigorosamente nada.

Ela, Margarida “russa”, era “russa” de alcunha desde os tempos da escola, de cabeleira arruivada e sardas engraçadas no rosto. Despachada, desembaraçada, com jeito para o teatro e tudo o mais que implicasse falar em publico ou defender causas. Casara muito nova com um primo afastado, abriram juntos um bar e uma mercearia. Desencantou-se da vida quando o marido a trocou pela empregada da loja, com idade para ser sua filha. Abriu o seu próprio negócio, vendeu produtos de beleza de porta em porta até descobrir um casal que se conhecera precisamente graças ao “GPS do amor”. O resto…. Era passado recente.

O doutor Paulo chegou a casa e vá de espreitar com mais atenção o estranho objecto. Mal accionou o pequeno interruptor, um pequeno zumbido e a luzinha vermelha piscou de imediato; portanto, a Margarida tinha razão…. Só significava que o par daquele Gps ainda se encontrava desligado, algures num ponto qualquer do planeta.

Sorriu com vontade. Não acreditava nem um pouco em toda aquela publicidade e fama granjeada pelo estranho objecto…. Mas era difícil permanecer-lhe indiferente.

E mesmo que na verdade o Gps pudesse sintonizar um outro idêntico – sim, parecia-lhe perfeitamente razoável – mais difícil seria acreditar que o mesmo sucederia aos respectivos proprietários.

- Sim… - murmurou para si mesmo – reconheço que …. Seria um óptimo argumento…. Seria um excelente filme…

Largou-o sobre a mesa de cabeceira, trocou de sapatos e dirigiu-se ao quintal; um canteiro enorme de hortênsias, roseiras e dálias requeria a sua atenção urgente.

O mês de Maio escorreu num ápice.

O consultório do doutor Paulo – não sendo nada de extraordinário – tinha clientela certa, um misto de vegetarianos descontentes e obesos em busca do primeiro empurrão; sim, o doutor Paulo era um nutricionista, temperando com bom humor as receitas aos seus pacientes. Como ele dizia muitas vezes “ eu não quero que você morra à fome, senão já não volta para me pagar a consulta”.

No hall de entrada, duas enormes gaiolas cheias de pássaros coloridos davam um tom irreverente ao branco tradicional das paredes. Claro que também tinham a vantagem de distrair os pacientes da sala de espera mas, acima de tudo, eram uma companhia. Ao final do dia, depois de fechar a porta, puxava de uma cadeira e sentava-se ao lado, enchendo os comedouros, mudando a água, verificando os poleiros de madeira.

Por mais de uma vez pensara em fechar o consultório, para se dedicar à sua paixão pelos pássaros; amealhara o suficiente, em mais de vinte anos de profissão, para gozar tranquilamente de uma reforma antecipada. E no entanto… sabia que nunca o faria. O consultório era a sua janela para o mundo, o único local onde podia conversar serenamente com as pessoas, onde ouvia, quase em confissão, os pecados de todos os que o procuravam, na ânsia de perder um pouco de peso, um pouco de angústia, um pouco de tudo.

Quando, no último domingo de Maio, abriu os olhos e procurou maquinalmente o relógio, pousado sobre a mesa de cabeceira… reparou.

- Olha, olha… a luz vermelha… apagou-se…

Na realidade, o Gps, ainda no mesmo local onde o largara, acordara aparentemente do seu sono letárgico, espicaçado pelo facto de, algures num ponto desconhecido do mundo, o seu gémeo ter sido activado.

Onde seria esse lugar?

Mordido pela curiosidade, carregou no botão de pesquisa, como a funcionária da loja lhe explicara.

- Uma… duas…. Três…. Quatro. Quatro luzes verdes? Isto começa bem…

Mas o que significariam quatro luzes acesas, de um total de dez? Algo tão distante como a França? Ou África? O Brasil, talvez? Ainda pensou em voltar à loja, só para pedir uma interpretação. Mas corou de vergonha, só de se imaginar a entrar de novo na loja, perguntando “ Oh, Margarida, diga-me lá…. Estas quatro luzinhas significam quantos quilómetros? “.

Não… decididamente não, nem pensar. Seria ridículo.

Pegou no Gps e lançou-o para o bolso. Se por acaso a encontrasse na rua… perguntar-lhe-ia.

Margarida, a “ russa “ não se encontrava, naquele dia, na melhor das disposições. Claro que no mesmo dia não conseguir pôr o carro a trabalhar e já chegar atrasada à loja…. ter que ouvir duas reclamações de clientes ou ainda receber um telefonema do banco a solicitar a regularização da sua conta… não eram propriamente coisas que ajudassem a alegrar os dias.

Mas na verdade, faziam parte das contingências da vida. A vida de Margarida era – e ela sabia-o bem – uma montanha russa de acontecimentos súbitos, imprevisíveis mesmo. De tal modo que já se habituara a que no mesmo dia as notícias boas e más se sucedessem a um ritmo alucinante, fazendo das semanas autênticos carrosséis de emoções.

- Amanhã será outro dia… - repetia amiúde para si mesma - …. E vais ver que tudo se resolverá.

Fechou a loja e rumou ao centro comercial. Nada como um bom filme de aventuras, com muita acção, para rematar aquele dia de trabalho tão cinzento e pejado de incidentes.

Comprou o bilhete e foi instalar-se confortavelmente, bem antes do apagar das luzes.

Aos poucos e poucos, a sala foi enchendo, enchendo – principalmente gente miúda de balde de pipocas na mão – na mesma proporção em que se arrependia de não ter escolhido uma sessão mais tardia.

- Ai, ai…. Pipocas… isto vai ser bonito, vai…

As luzes apagaram-se…. E o pano subiu.

Meia dúzia de espectadores atrasados continuaram a entrar, procurando na penumbra as poucas cadeiras vazias.

E foi então, logo naquele preciso momento… que aconteceu.

- Oh, não… - exclamou aflita, levando a mão ao bolso.

Mas não era o telemóvel. Desesperada, procurou no outro bolso, por dentro, por fora… nada.

E foi então que um pequeno ecran iluminado lhe chamou a atenção, espreitando ao um canto da mala.

- O Gps…. Mas como… agora?

Ergueu-se, tentando alcançar com a mão o fundo da mala. Apanhou-o.

Por um segundo que lhe pareceu uma eternidade, o olhar deteve-se sobre aquela fileira de pequenas luzes verdes, todas acesas.

- Oito… nove… dez. Dez?

O coração disparou. Quando, poucos dias atrás, se lembrara de ligar o pequeno Gps, reparara que a luzinha vermelha desaparecera logo de seguida. Algures, perto ou longe…. Um outro Gps já estava activo… e procurando-se mutuamente.

Mas aquela semana de trabalho não fora propriamente a melhor e da única vez que experimentara carregar no botão de pesquisa, assustou-se – seis luzinhas verdes acenderam-se diante dos seus olhos.

Mal carregou no botão que permitia desligar o som do pequeno aparelho, o coração deu novo salto.

Ali mesmo… numa daquelas cadeiras, naquela mesma sala… a mesma musica soava, inconfundível, exactamente a mesma musiquinha que ela acabara de silenciar no seu Gps. E isso só podia significar uma coisa.

Muitas filas à frente, reparou num vulto a erguer-se, bem na direcção do som. E depois, logo depois… novamente o silêncio.

Tremendo de medo e excitação, desligou o Gps. Não se sentia preparada para encontrar fosse quem fosse, muito menos o proprietário… do outro Gps.

Junho.

Um verão antecipado deixara de ser a excepção e passara a ser a regra. O calor apertava, os dias de céu azul sem nuvens sucediam-se ininterruptos, as temperaturas excessivas a prender os transeuntes em casa ou nos corredores frescos das galerias comerciais.

Na opinião do doutor Paulo, cheio de razão, Junho já era mês de praia…. Não fosse o insignificante pormenor da praia mais próxima distar quase três horas de viagem.

Na ausência de vida social, churrascadas em casa dos amigos, pescarias, jogos de futebol aos domingos de manhã… existia sempre a salvaguarda de visitar exposições, museus, cinemas, teatros, até o circo. Ou, como seria naquela noite o caso…. A ópera.

Verdade seja dita, nunca assistira a tal espectáculo. Mas, naquele caso, justificava-se. A pequena cidadela contaria, a partir daquela noite, com uma majestosa sala de espectáculos, capaz de ombrear com os grandes espaços da capital. E para a inauguração de tal espaço, o presidente da câmara não poupara esforços, abrindo os cordões à bolsa. Para além de convidar a companhia nacional de bailado para interpretar o bailado de “ A bela adormecida “, a entrada do espectáculo seria gratuita, aberta a toda a população. As ruas engalanaram-se de bandeiretas, cartazes coloridos espalhados um pouco por toda a parte anunciando “ A inauguração do ano, o espectáculo mais aguardado, um acontecimento único”.

O edifício era bonito – pensou – talvez um pouco moderno a mais para o seu gosto, mas mesmo assim bonito.

Ajeitou a gravata e lá foi entrando, por entre uma multidão curiosa e nada habituada a tapeçarias vermelhas no chão e um espaço a fazer lembrar propositadamente os salões de baile do século passado.

De caminho, ainda cumprimentou algumas pessoas – era capaz de jurar que mais de metade da população da cidade se acotovelava ali – e lá foi procurar o seu lugar, algures num dos pequenos camarotes laterais, a meia distância do palco.

Silêncio… e os acordes inconfundíveis de Tchaikovsky, no primeiro dos três actos da peça, encheu o espaço do grande teatro.

O rei e a rainha, orgulhosos da sua princesinha Aurora, convidavam todas as fadas para a festa do baptizado.

Os espectadores, completamente hipnotizados pelo cenário de magia e encantamento, soltavam aqui e ali pequenos “ais” e “uis” de espanto, de cada vez que um dos bailarinos efectuava um salto mais arrojado, uma das fadas deslizava em pontas, ou a rainha deslizava pelo salão, puxada pelo rei.

“ A bela adormecida”… era, ela própria, um encantamento.

Paulo levou a mão ao bolso, mortificado.

O som… novamente aquela musiquinha que passara tantas e tantas vezes na rádio, o som que adivinhava uma fileira inteira de luzes verdes acesas. Entrou em pânico, corando de embaraço.

- Perdão… perdão…. Julgava tê-lo desligado….

Procurou nervosamente o interruptor do pequeno aparelho, amaldiçoando-se pelo esquecimento imperdoável de não ter retirado o Gps do bolso do casaco, antes de sair de casa.

Os espectadores ao lado lançaram-lhe um sorriso meio irritado, meio compreensivo.

Encolheu-se na cadeira, como um garoto apanhado no meio de uma diabrura.

E então… ouviu.

Aquele som familiar…. A mesma musica… algures numa das primeiras filas da plateia, quase junto ao palco. Debruçou-se sobre a amurada do camarote, tentando aperceber-se da origem, da localização exacta do som. Reparou num vulto, remexendo-se nervosamente na cadeira e quase que apostava que dali provinha o som… e que ali estaria… o outro Gps.

Ao intervalo, mal as luzes se acenderam, a primeira coisa que fez foi espreitar de novo, na direcção que fixara.

Bem no local onde esperava ver alguém…. Uma cadeira vazia, a única cadeira vazia porventura em toda a sala.

Sentiu uma sensação estranha, indefinida.

E quando, no final da peça, abandonou o recinto, ia rodando nervosamente o pequeno aparelho entre os dedos. Algo não estava bem… e ele sentia-se desconfortável com isso, como sempre se sentira, quando uma situação lhe fugia ao controle.

E naquele caso…. Percebia que não controlava nada, rigorosamente nada.

Tomara uma decisão.

No dia seguinte, iria devolver o Gps.

Mas não foi.

Nem nesse dia, nem nos seguintes, que foram de trabalho intenso.

No consultório, a dona Teresa voltara a sentir queixas, o senhor Joaquim protestava por não ter perdido um único quilo durante toda a semana, as gémeas Vasconcelos não conseguiam compreender porque motivo a mesma dieta só conseguia emagrecer uma delas e o vereador Alfredo, no rescaldo de uma complicação de intestinos, precisava urgentemente de ajuda.

O final do dia soube-lhe melhor que o toque da campainha, dos tempos da escola.

Respirou de alívio, ao despedir-se do ultimo paciente.

Tentara despachar-se mais cedo… sem sucesso.

Não por ser o dia do seu aniversário…. Há muito que não ligava a tais pormenores. Mas apesar de não projectar nenhuma festa ou encontro familiar, lembrara-se que talvez fosse agradável ir comprar um bolo – ou pelo menos uma guloseima – para tornar o final da refeição um pouco diferente de todas as outras.

- Coco, certamente… se encontrasse algo …. Talvez um bolo de coco…. – ia pensando para si mesmo, enquanto se dirigia ao centro comercial do fundo da rua.

Os jornais desportivos, expostos na banca da esquina, chamaram-lhe a atenção. Desviou um pouco a rota e foi espiar as capas, para se informar das novidades.

Quando leu o cabeçalho do primeiro, sentiu que algo ia acontecer.

Um estremecimento premonitório, um formigueiro nos dedos, algo. E instantaneamente, soube o que aconteceria a seguir.

Não se enganou.

Surgidos do nada, dois aparelhos começaram a tocar em uníssono uma música que já lhe era bem familiar…

Nervoso, levou a mão ao bolso. Ao menos ali, em plena rua, não se precisaria de preocupar com o som. Mas havia algo… algo. Porque sabia que quando se voltasse para trás….

Virou-se de repente, preparado para tudo.

- Margarida…

- Dout… Paulo?

Durante longos momentos permaneceram imóveis, as mãos segurando os pequenos aparelhos, incansáveis na sua musiquinha, fileiras de luzes verdes acesas.

- Mas como é… possível? – O teatro….

- O cinema…. Eu não sabia…

Um minuto depois, os dois aparelhos silenciaram-se, automaticamente programados para tal. Encontrar e ser encontrado era – talvez – uma mera parte de algo muito maior, algo que porventura escaparia sempre ao entendimento dos inocentes Gps, programados para um encontro.

Os proprietários dos pequenos cupidos electrónicos cruzaram olhares.

A vida era estranha.

Não só irónica…. Como estranha.

Precisaria tudo de ter uma explicação?

- Queres…. Eu ia, bem… eu ia ali comprar algo…. Aceitas um…

- Parabéns, Paulo… eu sei que fazes anos hoje….

Ela sorriu, divertida com o embaraço dele.

- Tu sabes… essa agora… como sabes tu isso?

- Ora… uma mulher não pode revelar todos os seus segredos, pois não?

Ele permanecia imóvel, à espera de um “clic” para retornar à vida.

- Bom… e então? – lá continuou ela – julguei que me ias oferecer um café. Ou já mudaste de ideia?

Rumaram ao café do outro lado da rua, os gps mudos ainda esquecidos nas mãos.

Entardecia.

Era Julho.

De um verão antecipado, como eram agora todas as estações. Antecipadas.

Ou – quem sabe – talvez fosse aquele o tempo certo.

Pelo menos para alguns.

15 comentários:

  1. Adorei! A história empolgou-me do início ao fim.
    Todos temos um GPS do amor incorporado em nós. Alguns têm-no sempre ligado, outros não. Mas quando o GPS toca ninguém consegue ficar indiferente. Mesmo que seja imensamente resistente e lhe custe acreditar que o mesmo tocou, vai haver um dia que vai querer ouvir o toque. :)

    Beijinhos

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  2. Rolando,

    Que história, hein...
    Acredito que o que tem de acontecer, acontece.
    Não importa quanto tempo passe, não importa a distância, não importam as diferenças,pois a vida dá voltas e une o que tem de ficar junto, sempre.
    Adorei a tua história!
    E repito amigo, você deveria escrever um livro com teus maravilhosos contos!
    Seria um sucesso!

    Obrigada por ter voltado, sim!
    Um abraço, da amiga,

    Gislene.

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  3. Amor com rota marcada. Bem...
    Assim era bem mais fácil ser encontrado.
    Às vezes o amor tem coincidências felizes.
    Mas seria preciso mesmo um sinal sonoro para que "acordassem" um para o outro?
    Olha que há gente muito distraída...

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  4. Desejo que seus dias,sejam iluminados pela essência Divina,com Boas Energias Sempre!
    Abraços
    Mari

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  5. História que me fez sorrir por tudo que ele conta. Quantas vezes será que tem que se acenderem as lâmpadas verdes para que as oiçamos? :-)

    beijos
    Anne

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  6. Que maravilha! Onde vais tu buscar tantas ideias? Que inspiração divinal!!! Era porreiro ter um GPS destes..mas acho que o mantinha sempre desligado!! Morreria de vergonha e embaraço se aquela coisa apitasse assim, sem mais nem menos, quando menos eu esperasse...mas, na verdade a vida é mesmo assim, não é?? Fantástica história Rolando! Bjs

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  7. Confesso que depois daquele introito do inicio , comecei a suspeitar do final. Muito bem imaginado este conto. Gostei sinceramente.
    Parabéns.
    Abraço.

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  8. Joana... gostei dessa ideia do "Gps incorporado em nós", sabes? Ajuda a explicar certas coisas que nos acontecem...

    Beijos

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  9. Oi, Gislene

    " O que tem que acontecer, acontece". Olha amiga, não sei... mas sei que temos que ir vivendo um dia de cada vez, sem esperar sentado pelo futuro. Que te parece?

    Beijos, amiga, é bom ter-te de volta também

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  10. Oh, Dida... gente distraída? Se há... e muita.
    Todos nós conhecemos alguns exemplos, tenho a certeza...

    está tudo bem contigo?

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  11. Mari, obrigado... a gente precisa mesmo... de energia, de iluminação, de coisas boas. Para coisas ruins, basta ligar a tv e assistir ao noticiário.

    Beijos

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  12. Anne... olha, eu sempre ouvi dizer que os mais cegos são aqueles que se recusam a ver. E tens razão, muitas vezes as luzinhas devem acender... e os donos dos Gps nem acreditam...

    Beijos

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  13. Nenufar... se fazes favor vais até ali ao canto, ao pé da mesa onde está o café e os bolinhos. Á direita, estão várias caixas, todas com Gps ainda por abrir. Escolhe a cor que mais gostares, ok?

    Beijos...

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  14. António,

    Obrigado pela presença. E sim, creio que os pózinhos da magia já se deixavam antever no principio da história.

    E quantos " doutores Paulo " e " margaridas " não conhecemos nós?

    Um abraço.

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  15. Gostei e achei interessante a cronica conto
    Passei aqui lendo o que tem pra ler. E observando o que tem para observar. E Exaltando o que tem de ser Exaltado. Estou lhe desejando um Tempo de Harmonia e de muita Inspiração. Entendo ter um blogue Agradavel, muito bom e Interessante. Eu, também tenho um. Muito Simplório por sinal. E estou lhe Convidando a Visitá-lo e, mais. Se possivel Seguirmos juntos por eles. Estarei Muito Grato esperando por Você lá.
    Abraços de verdade e, fique com DEUS

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